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Paz & Amor - Diálogo dos Iluminados

  • Foto do escritor: Mário Alves.'.
    Mário Alves.'.
  • 29 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Não se trata de concordar. Desde o início, todos sabem disso. O debate existe porque o mundo insiste em repetir as mesmas falhas.


— A paz é sempre evocada depois da destruição, diz Zoroastro, com voz grave. O ser humano escolhe primeiro entre o bem e o mal. Não como metáfora, mas como decisão cotidiana. Neutralidade é ilusão.


Jesus responde com calma, mas sem suavizar:

— E essa escolha só se sustenta quando o amor orienta a ação. Sem amor, o bem vira moralismo; com amor, até o sacrifício ganha sentido.


Maomé inclina o corpo para frente:

— Amor, sim. Mas amor responsável. A paz não pode ser usada para legitimar injustiça. Deus exige retidão, e a retidão exige ação concreta contra a opressão.


Buda observa a tensão crescer e intervém:

— Toda opressão nasce da ignorância. Combater o mal sem compreender sua raiz interior é trocar de forma, não de causa. A mente não treinada reproduz violência, mesmo em nome do bem.


— Ainda assim, retruca Confúcio, sociedades não se organizam apenas com consciência individual. A harmonia depende de rituais, deveres, hierarquias éticas. Sem ordem, a virtude se perde.


Allan Kardec organiza o impasse:

— O espírito aprende pela experiência. A lei moral atua tanto na intimidade quanto na estrutura social. Quando o homem ignora uma, sofre na outra. A paz é efeito da evolução, não sua causa.


Zoroastro retorna ao centro da mesa:

— Evolução exige escolha. Pensamento bom, palavra boa, ação boa. Não há atalhos. O mal não desaparece com tolerância cega, mas com lucidez moral.


Jesus encara o ponto sensível:

— Por isso o perdão não é conivência. É ruptura consciente com a lógica do ódio. Amar o inimigo não absolve o erro, mas impede que ele nos transforme.


Maomé concorda parcialmente:

— Desde que o amor não paralise a justiça.


— E desde que a justiça não seja movida pelo ódio , conclui Buda.


O debate se alonga, volta, se contradiz. Nenhum deles oferece conforto. O que oferecem é exigência: pensar melhor, agir melhor, justificar menos.


Ao final, não há síntese perfeita. Há um eixo comum: a paz não é promessa futura, o amor não é abstração emocional, e a espiritualidade que foge da responsabilidade humana é apenas discurso.


Eles se levantam. O mundo continua. O debate, também.

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